Hoje tive a infelicidade de presenciar um rapaz morrer afogado na praia da Enseada, no Guarujá. Estava surfando e tentei ajudar no resgate, mas dessa vez não deu. A correnteza estava forte e o rapaz não conseguia se manter na superfície nem por um segundo, tamanho desespero. Mais 15 segundos e eu chegava nele. Os salvavidas chegaram e ficamos um bom tempo procurando o corpo, que não apareceu.
Já participei diversas vezes de salvamentos e até fiz alguns sozinho, sempre com sucesso. Cheguei muito perto de salvar o cara, que em nenhum momento me viu. Ele lutava para voltar para a praia e estava de costas para mim, que vinha do fundo.
Primeiro escutei um grito de desespero, não foi o clássico grito de "socorro" que já deixa claro que se trata de um afogamento. Foi apenas um grito para chamar a atenção dos amigos que estavam mais no raso. Quando olhei não vi nada.
Não vi nada, mas já fiquei esperto. Quando escutei o segundo grito consegui ver de rabo de olho o cara afundando, se debatendo. Remei na direção dele o mais rápido possível, mas ele estava se afogando, sendo arrastado sem que eu pudesse fazer nada. Estava chegando perto com ele em vista. Deixei passar uma ondinha na aproximação, quando estava a uns 15 metros no máximo, e isso foi o bastante para perder ele de vista. Talvez não devesse ter deixado passar a ondinha, mas o meu julgamento no momento foi que se eu pegasse a onda, acabaria me afastando mais da vítima, já que a correnteza puxava pra esquerda e a onda era uma direita.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance, mas confesso que no final de tudo eu fiquei mal.
Precisava desabafar.
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domingo, 18 de outubro de 2009
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